24 de maio de 2012

Firmamento



se você não vê nas cores
que a vida põe nos teus olhos
o milagre
é porque não vê nada.


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22 de maio de 2012

Ventura (1975)

Uma tarde dessas eu revivi aquela praia. Tocava brocal dourado enquanto eu ardia em febre. Meu coração resmungava que o sol entrava, todo alegre a pontilhar seus raios no meu quarto. Daí eu vi a cena. Era velho como ouro velho mesmo, praia vintage. Uma praia que eu ia e aí ai era isso. Mas eu vi a praia e era dourada como aquele minuto de som dourado e parede dourada. Era praia de outro país, pois isso eu sei. Era de outra década, noventista, penso. A praia era antiquada, como as pessoas, problemáticas como sempre. Mas era alegre. E eu lá doída, mas vendo a praia da minha cama. Sentindo a areia fugidia de um vento novo que eu nunca senti por essas bandas. Era como se fosse outra a maresia. Outro o tom do verde das folhas das palmeiras, que palmeiras tinha. Não era tão vintage, mas era meio passada. Um pouco mais livre e silenciosa. Não tinha esse trânsito caótico. Só tinhas os velhos jovens, as doces ilusões retrô de um tempo descompromissado, leve, devagar, descontraído. Cheirosa manhã. Ventando ventura por todos os lados.
receber sopapos de papel
só sei que não sei nada
um minuto remoto, na verdade... cinco minutos
debatidos com o silêncio num banheiro trancado
eu, o banco, a minha orelha e o silêncio, nada "más"
só via cangaceiros nas paredes, folhas na porta do box
e ouvia essa coisa tão linda e poética que é o vazio
profusão de silêncio e pensamento mais uma vez
não se ouve o lá fora
porque o lá fora não existe então
como é bom ficar só
e não fazer nada a não ser olhar e ouvir o nada
por cinco minutos.
Será
que será
como almejo

Os olhos
até marejam.
não era dia dos namorados. não era dia das mães. não era aniversário de ninguém. nem fim de semana era. era meio de um mês e qualquer mês era. não era junho, não era dezembro, nem agosto mês do cão era. era qualquer mês. qualquer dia. qualquer hora.

e naquele minuto qualquer, coisa qualquer mudou minha vida. feliz estava. de uma sensação que não vinha há mais de trezentos dias.